quinta-feira, 23 de outubro de 2008

BABYWEARING POR TAMI BREAZEALE

autor: TAMI BREAZEALE (Tradução: Analy Uriarte)

A teoria do apego faz uso do "babywearing”, o costume de carregar o bebê num carregador de pano como um canguru ou mochila ou uma tipóia de bebê como maneira de promover o vínculo entre mãe/pai-filho e a responsividade da mãe/pai. Embora seja pouco usual em nossa cultura, babywearing é uma prática comum ao longo da história da humanidade e ainda é muito comum hoje em algumas partes do mundo. Adicionalmente, tipóias e outros carregadores macios possibilitam dar colo e amamentar com as mãos livres, permitindo convenientemente que a mãe possa cuidar de seu bebê e ainda realizar diversos tipos de trabalhos e tarefas.

Colo, choro e vínculo

Bebês carregados choram menos e ficam menos inquietos que bebês que passam a maior parte do dia sem contato físico com seus pais. No estudo de Hunziker e Barr (1986) sobre carregar o bebê e seu efeito no choro do mesmo, mostrou-se que carregar o bebê cada vez mais durante o dia reduz tanto a duração quanto a qualidade do choro do bebê. Nesse estudo, que incluiu 99 duplas mãe-bebê , as mães do grupo experimental (49 duplas) receberam carregadores de bebê macios e foram orientadas a carregarem seus bebês durante três horas por dia sem ser porque choravam ou para alimentá-los durante oito semanas. O resultado foi que com seis semanas, a idade em que o choro dos bebês na sociedade ocidental atinge seu pico, o grupo de bebês carregados cada vez mais choravam e ficavam inquietos 43% menos que o grupo controle; isto significava aproximadamente uma hora a menos de choro por dia. Estes bebês também eram alimentados mais frequentemente, embora não durante mais tempo, e permaneciam calmos e atentos durante mais tempo por dia que o grupo controle de bebês. Este estado de calma e atenção dos bebês é tipicamente considerado pelos estudiosos em desenvolvimento infantil e pediatras como o estado em que o bebê é mais capaz de aprender (Sears, 1995a; Sears & Sears, 1993).
O desenvolvimento do vínculo também é afetado ao carregar cada vez mais o bebê, como demonstrado num estudo de díades mãe-bebê por Anisfeld, Casper, Nozyce, e Cunningham (1990). Em contraste com o estudo de Honziker e Barr (1986) no qual participaram mães Canadenses de classe média, este estudo foi conduzido com a participação de mães pertencentes a classes sócio-econômicas mais baixas e decendentes de grupos étnicos minoritários num grande centro urbano dos Estados Unidos. No estudo de Anisfeld et al. participaram 49 pares. O estudo procurou provar que mães que carregavam seu bebês em carregadores macios durante os três primeiros meses de vida seriam mais sensíveis e responsivas a seus bebês depois de 90 dias que as mães que carregavam seus bebês em cadeiras de plástico e ainda, que este comportamento responsivo estaria relacionado à formação de um vínculo seguro aos 13 meses. As hipóteses formuladas pelos autores provaram serem corretas. As mães dos carregadores de pano não eram apenas mais responsivas em relação aos seus bebês na infancia mas 83% das crianças demonstraram forte vínculo na idade de 13 meses. Isto foi comparado ao grupo controle onde apenas 38% das crianças formaram vínculos fortes na mesma idade. Curiosamente, no grupo controle, quatro mães usaram um carregador de pano macio além de usar o assento de plástico tipo cadeira de carro e três das quatro mães apresentaram vínculos fortes com seus bebês. Os autores também notaram que havia uma alta porcentagem de relacionamentos de apego evitante dentro do grupo controle (38.5%), consistente com dados existentes sobre apego mãe-bebê em populações urbanas de baixa-renda semelhantes. Ficava claro que carregar cada vez mais o bebê num carregador frontal macio melhorava consideravelmente as chances da dupla mãe-bebê de formar um vínculo forte e era uma intervenção valiosa de ser implantada em populações de alto risco.

Método Mãe Canguru

Uma grande quantidade de pesquisa adicional na importância do contato físico para pais e bebês provêm do uso do Método Mãe Canguru para bebês prematuros. O Método Mãe Canguru (MMC) foi inicialmente desenvolvido em maternidades da Guatemala onde a falta de incubadoras fez com que pusessem os bebês dentro das roupas das mães para mantê-los aquecidos. Desde então, o MMC tem demonstrado beneficiar muito recém-nascidos permitindo que eles regulem melhor seu ritmo cardíaco e sua respiração, melhorem o sono, cresçam mais depressa e com menos choro e recebam alta antes dos prematuros que não usaram o MMC (Sears, 1995b).
O Método Mãe Canguru também demonstrou beneficiar o vínculo mãe-filho (Tessier et al., 1998). Num estudo de 488 bebês prematuros nascidos em Bogotá, Colômbia encontrou-se que além dos benefícios fisiológicos do MMC, as mães que cuidaram de seus bebês desta maneira desmonstraram um vínculo afetivo mais forte e alteração na sua percepção do filho, houve também um efeito de resiliência, que fez com que a mãe que praticava o MMC se sentisse mais competente para cuidar de seu bebê mesmo quando alterações de saúde requeriam uma internação hospitalar mais longa. Estudos também analisaram o uso do MMC em bebês a termo e determinaram que o MMC é benéfico em promover temperaturas corporais e níveis de glucose saudáveis assim como reduzir o tempo de choro em bebês nascidos a termo. (Cash & O'Quinn, 1996). Estudos de casos do uso de MMC com gêmeos prematuros e seus pais adolescentes (Dombrowski et al., 2000) e com bebês nascidos a termo e mães com dificuldades de amamentação (Meyer & Anderson, 1999) também demonstraram benefícios tanto emocionais quanto físicos para as díades envolvidas.

Evidência Antropológica

De acordo com estudo de Lozoff e Brittenham (1979) sobre a forma de cuidar dos bebês nas sociedades de caçadores-coletores e outras sociedades não industriais, o padrão do comportamento humano em relação aos bebês têm sido sempre de carregá-los ao colo. Os pesquisadores encontraram que bebês que ainda não engatinhavam eram carregados mais de 50% do tempo nas sociedades estudadas de caçadores-coletores. Essas mães também carregam seus filhos durante toda a primeira infância. Entre os !Kung do Deserto de Kalahari, isso permite uma amamentação quase contínua, enquanto que em outras sociedades de caçadores-coletores, a amamentação acontece em regime de livre-demanda. Estas crianças são atendidas quase imediatamente quando choram e frequentemente com muita afeição. Ao contrário da crença ocidental que crianças cuidadas desta maneira são exageradamente dependentes, estes bebês desenvolveram cedo independência da mãe, voluntariamente passando mais da metade do dia com seu pai ou outras crianças, entre 2 e 4 anos de idade. Na maioria das sociedades não-industriais estudadas os bebês não eram tão carregados quanto nas sociedades de caçadores-coletores, mas a mãe ainda é a principal figura, ela dorme na mesma cama ou quarto que a criança e a criança é amamentada por mais de 24 meses. Os pesquisadores observaram que nestas condições o choro das crianças era atendido rapidamente e com uma resposta apropriada e carinhosa. Os autores notam que a situação dos bebês nos Estados Unidos é drasticamente diferente desses padrões com crianças passando somente 25% de um período de 24 horas em contato com sua mãe devido à proliferação do uso de bebês-conforto, cadeirões de comer, balanços e cercadinhos, além do conselho dos pediatras de serem usadas áreas de dormir separadas para o bebê, resultando na estatística lamentável de mais de 43% dos episódios de choro dos bebês americanos são ignorados (Blackwell, 2000; Lozoff & Brittenham, 1979).
Uma comparação fisiológica da composição do leite materno leva a crer que os humanos foram feitos para carregarem seus bebês (Lozoff & Brittenham, 1979; McKenna et al., 1993). O leite materno em mamíferos que escondem ou deixam seus filhotes em ninhos e outros locais seguros entre as mamadas possui altos teores de proteína e gordura. O leite dos mamíferos que carregam seus filhotes ou daqueles onde a cria permanece ou hiberna com a mãe, possui teores de proteína e gordura mais baixos. O leite materno humano tem baixos teores de proteína e gordura identificando um ritmo de mamadas muito frequentes e abundante contato físico com a mãe como um padrão ótimo de cuidados maternos para humanos. Quer você acredite que os humanos evoluíram ou fomos criados por Deus, fica evidente até no leite materno que as mães foram feitas para carregarem seus bebês com elas.
© 2001 Tami E. Breazeale

Tami E. Breazeale, M Ed. foi professora de adolescentes com distúrbios emocionais e de comportamento em escolas privadas e públicas durante cinco anos antes de virar mãe. Sua tese completa de mestrado em educação está disponível no endereço: http://www.visi.com/~jlb/thesis.html, e apresenta uma revisão da literatura existente sobre distúrbios de apego, teoria do apego e a importância de promover comportamentos orientados para a maternidade com apego para combater o desenvolvimento de distúrbios na próxima geração. Tami atualmente mora em Minnesota, EUA, com seu marido e três filhos pequenos.





SOBRE ESTUDOS EXISTENTES

autor: Urs A. Hunziker, MD, e Ronald G. Barr, MDCM, FRCP(C)


Bebês carregados intensamente choram menos


Estudo realizado por Urs A. Hunziker, MD, e Ronald G. Barr, MDCM, FRCP(C)
Departamento de Pedriatria, The McGill University-Montreal Children's Hospital Research Institute, Montreal, Quebec, Canada.


RESUMO.
O padrão de choro de bebês normais em sociedades industrializadas é caracterizado por um aumento até 6 semanas de idade seguido de um declínio até os 4 meses de idade com uma preponderância de espisódios de choro durante o fim-da tarde até a noite. Nós assumimos a hipótese de que esse padrão “normal” poderia ser reduzido caso o bebê fosse carregado intensamente, isto é, que recebesse mais colo do que o necessário para alimentá-lo e acalmá-lo quando estivesse chorando. Num experimento randônico e controlado com 99 duplas mamãe-bebês, o grupo de controle foi designado a carregar intensamente seu bebê. Na época de pico de choro (6 semanas de idade), bebês que foram carregados intensamente choravam e estavam inquietos 43% menos (1.23 u 2.16 h/d) de modo geral, e 51% menos (0.63 u 1.28 hours) durante o início da noite (das 16:00 a 24:00hs). Reduções semelhantes mas menores aconteceram com 4,8, e 12 semanas de idade. A redução do choro e dos momentos de inquietação foram associados com maior satisfação e frequência de mamadas mas sem haver aumento de duração da mamada ou sono. Concluímos que carregar intensamente o bebê modifica o choro "normal" ao reduzir a duração e alterar o padrão típico do choro e dos momentos de inquietação nos primeiros 3 meses de vida. A relativa falta de colo que o bebê recebe em nossa sociedade pode predispôr o bebê normal a choro e cólicas. Pediatrics 1986;77:641-648; crying, carrying, colic,- mother-infant interaction.


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“Os Drs. Nicholas Cunningham e Elizabeth Ainsfield interessaram-se em determinar como afetava o relacionamento mãe-bebê e também o desenvolvimento deste o fato de a mãe carregá-lo num porta-bebês macio, em seus primeiros meses de vida. Os resultados preliminares revelaram diferenças significativas entre o grupo controle e o grupo experimental, com 15 bebês cada. Descobriu-se que as mães que levam os bebês em porta-bebês macios são, assim como os filhos, mais responsivas e coordenadas entre si que os pares de controle, com porta-bebês inflexíveis, de assento duro.” Nas palavras de Ashley Montagu (livro “Tocar: O significdo Humano da Pele” São Paulo – Summus – 1988 – Paginas 349 -350)


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Estudos realizados por Cash & O'Quinn, 1996, determinaram que o método de mãe-canguru é igualmente benéfico para bebês nascidos a termo promovendo níveis saudáveis de temperatura corporal e glucose assim como a redução da duração do choro. Estudos de casos de uso do Método Mãe-Canguru com gêmeos prematuros e seus pais adolescentes (Dombrowski et al., 2000) e com bebês a termo e mães com dificuldades de amamentação (Meyer & Anderson, 1999) também mostraram benefícios tanto físicos quanto emocionais para as duplas envolvidas.


SLING


Babywearing
é a arte de carregar seu bebê no seu corpo como uma veste.
Em diversas culturas (indígenas, africanas, asiáticas), o transporte de bebês e mesmo crianças novinhas através de “tipóias” é um hábito, algo amplamente praticado. Isso por quê a tipóia atua como uma “barriga de transição” (traduzindo bem ao pé da letra), permitindo a continuação da conexão mamãe-bebê, o que é muito favorável ao desenvolvimento emocional desse bebê, além de facilitar a vida da mãe em suas tarefas diárias.









O “carregar o bebê” tem uma relação próxima ao que é chamado nos EUA de “attachment parenting” (amamentação prolongada, o ser receptivo às necessidades do bebê, o dormir junto, mantendo o contato durante a noite, etc.). Esse meio de carregar / transportar seu bebê estabelece uma excelente comunicação com a criança desde o início da vida, mostrando ser este um meio mais relaxado e de maior conteúdo para vivenciar a relação pai/mãe/bebê. Mãe/pai calmo é bebê calmo também. É um bebê menos incomodado, que chora menos, que tem menos cólica, que dorme melhor à noite, que mama durante períodos maiores de tempo e mantém um período maior entre as mamadas....
O carregar a criança tem um sentido também de cuidar: ao invés de depositar nossos bebês em "recipientes" diferentes (carrinho, cadeirinha do carro, chiqueirinho etc.), ao “vestir” sua criança você estará compartilhando seu calor, o rítmo de sua respiração, o som de sua voz, o cheiro. Sim, somos mamíferos.... Isso significa que você estará mais receptiva às necessidades dessa criança, estabelecendo uma melhor comunicação com ela. De uma maneira breve, “vestir” sua criança é uma maneira de mostrar que você está sempre disponível para ela e que a conexão que vocês formaram durante 9 meses de gestação não terminou no nascimento.

Vantagens físicas

O sling imita a posição natural dos braços maternos ao carregar o bebê. Ele segue a linha natural da coluna do bebê e não a pressiona diretamente em nenhum ponto. Ao transportá-la dessa maneira, e mais ainda na posição vertical, você estará prevenindo a regurgitação e reduzindo a formação das cólicas, favorecendo a digestão.Quando a criança começa a sentar, o sling também permite o novo movimento, ainda sendo vantajoso, pois mantém as perninhas juntas, não forçando-as a se manter abertas, numa fase em que as articulações do quadril ainda estão se formando. A criança / o bebê ao ser transportada num sling usufrui de movimento, prazer, calor humano, segurança e todos os sons ao qual estava acostumado na barriga. Os movimentos da mãe e o som de seus batimentos cardíacos estimulam seu sistema nervoso, particularmente o sistema que controla o equilíbrio do corpo. O movimento experienciado pelo bebê num sling o encoraja a dormir durante e depois de ser transportado. O babywearig favorece o desenvolvimento do senso de balanço, dos músculos do pescoço e das costas e de todos os aspectos psicomotores. Contrariando o que poderíamos pensar, crianças sentam e andam mais cedo nos países onde essa cultura predomina.

Por quê ?

Um sling é mais confortável para os pais pois acomoda adequadamente o peso da criança pelos ombros e costas. Não há cintas, nem amarras que cruzam o corpo. Tudo isso permite que os pais tenham contato com seus bebês por mais tempo sem se cansar, com maior facilidade na hora de colocar e tirar o sling.
O sling permite que os bebês tenham a mesma visão que o adulto, no mesmo nível de altura, nas atividades desenvolvidas. Isso os deixa mais seguros e permite que eles observem de uma forma harmônica tudo e todos no mundo real. O sling deixa os bebês muito sociais e calmos. Faz com que os bebês chorem menos que outros pois o contato contínuo com um adulto significa que este adulto percebe imediatamente as necessidades do bebê e pode satisfazê-las sem espera. Pais que usam sling em seus bebês desenvolvem uma forte comunicação com a criança/bebê e compreendem melhor e mais rápido qualquer sinal de stress da criança. O bebê tem o seu choro e inquietação reduzidos em 43% durante o dia e 51% durante a noite, de acordo com um estudo em Pediatria datado de 1996. O sling reforça a sensação de competência e auto-suficiência nos pais, dando-lhes certeza na maneira de satisfazer as necessidades da criança ... Reforça a comunicação entre ambos. Pais que usam sling em seus bebês interpretam de forma mais eficiente os sinais de seus bebês, e estes, mostram maior reação às expressões faciais e tons de voz de seus pais. É uma maneira excelente de tornar uma criança familiarizada à pessoa que a cuida. O fator limitante será o peso do bebê/criança, em média, 20kg, com relação ás nossas costas. Estima-se esse peso para crianças entre os 3 e meio e 4 anos de idade.